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Dr. Alvarenga com o filho Fausto no colo e sua esposa, dona Margarida Halbe.

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PERSONALIDADES CORINTIANAS:

DR. ALVARENGA: UMA VIDA DE EXEMPLOS

Dr. Antônio Octaviano de Alvarenga, nascido em Curvelo a 18 de fevereiro de 1897, filho de Aristides Octaviano de Alvarenga e Seráphia Pereira Barcellete, iniciou os estudos secundários em Ouro Preto, transferindo-se para Diamantina, onde foi contemporâneo e amigo de ex-presidente JK. Foi casado com Margarida Halbe de Almeida.

Em 1914, ingressou na Escola de Medicina de Minas Gerais, concluindo o curso na Universidade do Brasil, Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1920.

Com brilhantismo defendeu a tese de doutorado. Dotado de notável memória e prodigiosa inteligência, sempre se distinguiu nos estudos. Por ocasião da gripe espanhola, ainda estudante de medicina, prestou relevantes serviços à população de Curvelo.

Terminado o curso, o dileto discípulo do mestre Miguel Couto, abandonou as perspectivas de uma promissora carreira no Rio de Janeiro, para fixar residência em Curralinho, lugarejo pobre, vítima indefesa de variada patologia.

O eminente médico, culto e abnegado na solidariedade humana, com destemida coragem se estabeleceu na futura Corinto. Entretanto os desafios de um meio sócio-econômico desprovido de recursos, aqui exerceu a profissão como um verdadeiro sacerdote.

Durante muitas décadas militou na política local, tendo sido o primeiro prefeito do município e durante anos consecutivos, presidente do então Diretório do PDS. Recusou, no entanto, convites para ir em frente na política.

A sua grande modéstia o impedia de divulgar, mas, as pessoas mais idosas de Corinto, sabem as inúmeras obras conseguidas por ele com esforços sobre-humanos. Contam os antigos, que bem sede sua figura em terno de linho branco muito arrumado, que ele fora convidado a se candidatar para Deputado, devido ao seu grande prestígio no meio político. Amigo particular de Benedito Valadares, bem como de Juscelino, ao que ele sempre agradecia dizendo: “Entrar para perder eu não quero: e para ganhar, também não, pois não quero sair de Corinto”. Por amor à família, é que seu lugar era pois, Corinto, junto aos seus doentes.

Realizava viagens a cavalo a localidades distantes a fim de socorrer enfermos, a maioria deles paupérrimos. Grande parteiro, em condições totalmente desfavoráveis. Não havia horários para atendimentos. Enfrentava chuva, frio ou sol para salvar a vida de tanta gente!

Homem de grande cultura, literato invulgar, conhecedor do francês, alemão e inglês, Dr. Alvarenga sempre se manteve a par das últimas conquistas da ciência,, buscando, ministrando e acompanhando a Penicilina logo após o lançamento no Brasil, deste antibiótico que era aplicado de três em três horas.

Curava os doentes levando-lhes sempre uma palavra amiga e até uma pilhéria, pois foi sempre muito espirituoso. “Seus doentes se recuperavam só de saber que o Dr. Alvarenga iria chegar!!!”

Desempenhou papel preponderante no combate e endemias que granavam nesta região, como a malária e a febre amarela.

Em 1930, durante a revolução, por motivos políticos, aqui já estava um batalhão do exército para bombardear o Depósito da Central do Brasil. Foi esse mesmo Dr. Alvarenga, que amou esta terra de verdade, quem conseguiu chegar à frente do batalhão com um pano branco pedindo que o mesmo fosse conservado.

Recebeu em 1934, gratidão e amizade por parte da comissão dos ferroviários Raymundo Machado, José Antunes, Abel Pereira de Souza, João José Machado e Espiridião Silva, conclamando os colegas a apoiar “o nosso maior amigo em Corinto, o velho amigo em todas as emergências, o Dr. Antônio Octaviano de Alvarenga”, atestando que “ele, com risco de sua própria vida, nos salvou e às nossas famílias”.

Dr. Alvarenga muito se empenhou na fundação do Instituto Dom Serafim, onde lecionou em caráter de colaboração, sendo grande amigo das Irmãs Clarissas Franciscanas.

A vida, a generosidade e o desprendimento deste homem, é conforto e estímulo para muitos médicos jovens que estejam surpresos ou decepcionados com as agruras da profissão.

Possuidor de profunda fé cristã, sem fanatismo, soube conciliar ciência e religião, numa reta entre bondade e sacrifício.

Já octogenário, o excelente orador, que escrevia com facilidade em prosa ou em versos, era encontrado constantemente, lendo até muito tarde, com aconteceu no dia de sua morte. E ao sepultamento, no dia 8 de março de 1978 em Corinto, foi decretado luto oficial e feriado municipal; compareceu uma multidão composta de gente daqui e de fora. Houve manifestações de pesar na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na Câmara de Deputados, na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, além das múltiplas manifestações locais.

“Rendemos homenagem de gratidão a esse homem extraordinário que aqui viveu só para fazer o bem e deixar saudades àqueles que tiveram a ventura de conhece-lo”.

Bibliografia:

Texto extraído do Jornal Centro das Gerais, Ano 2 - Número 03 - 1991

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