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 © Arquivo Marcelo Caldeira

9.º FECOR - 1988

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1.º FESTIVAL DA CANÇÃO POPULAR EM CORINTO

         

            Atualmente o homem não busca em sua essência e em suas raízes os seus valores, pois está sendo arrastado por todo um aparato ideológico que lhe impõe falsos valores. Assim, a sua voz passa a ser também uma falsa voz e, dessa forma, uma cultural irreal se transforma em verdade absoluta nas páginas da história. As suas tradições folclóricas, artísticas, culturais, místicas vão se desgastando e a conseqüência disto é uma despersonalização da natureza humana.

            Dois dos grandes aparelhos usados por aquele aparato ideológico são a televisão e o rádio, que, por serem meios de comunicação de massa, tem a função muito importante no sentido de fornecer a essa massa educação, formas saudáveis de lazer, etc. no entanto, o que alguns de seus programas transmitem são falsos princípios que não coincidem com a nossa realidade, mas lhe esconde, além de desvalorizar as características próprias de cada região.

            Assim, qualquer canal que nos ponha de frente com a nossa realidade e que nos leve a valorizar aquilo que realmente constitui a história de nosso povo é válido. E foi com esse intuito que se organizou o 1.º FECOR que usou a música como instrumento para levar ao corintiano uma maior conscientização do que realmente lhe cerca e para fazer com que ele conheça pelo menos um pouco da arte que existe em sua cidade e que é despercebida de muitos. Ou seja, o FECOR não foi somente a concorrência entre seus participantes pelos prêmios oferecidos, mas foi também a oportunidade de músicos da cidade mostrarem seus trabalhos a um grande público e de fazerem conhecida a potencialidade musical que existe em Corinto. Além do mais, este tipo de acontecimento, inédito aqui até então, estimula a aparição de novos músicos e a própria evolução cultural da cidade, que passa, dessa forma, a se tornar mais forte frente a possível  destruição de suas tradições e das formas de manifestação popular que lhe caracteriza. O 1.º FECOR significou ainda a voz da juventude corintiana e sua necessidade de novas formas culturais de lazer, já que o único cinema que havia na cidade, não existe mais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Texto: Rosane Fernandes
Reportagem extraída do Jornal "Porém", 1980 (Agradecimentos a Jaqueline de Souza pela cessão do
jornal)

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