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© Arquivo Dr. Olinto Vieira Machado

Pátio da Estação de Curralinho em 04/06/1924


A ESTAÇÃO DE CURRALINHO:

    

A chegada da ferrovia no início do século XX, talvez tenha sido o mais importante na formação hitórico-econômica do município de Corinto, até então apenas uma paragem de tropeiros. Quando a estação de Curralinho foi inaugurada em 1906, o arraial contava com algumas poucas casas de pau-a-pique e cobertas de capim ou de folhas de pindoba, não obedeciam a arruamento e ficavam próximas aos mananciais de água. O arraial tinha o seu núcleo onde hoje é o bairro Gomes Carneiro, conhecido como Curralinho Velho e aonde se localiza o matadouro local.

Segundo o médico e historiador Dr. Raimundo Lima, quando os trilhos chegaram, a estação seria construída na região onde hoje se encontra a hospedaria e BR 135 que liga Corinto e Montes Claros. Porém, os fazendeiros donos daquelas terras se opuseram uma vez que achavam que as mesmas seriam desvalorizadas. Este fato ficaria representado na capa do disco do Grupo de Seresta local, intitulado “Corinto em Serenata III”, gravado no ano de 1984 em comemoração do 60.º aniversário de emancipação do município, num belo desenho da artista plástica Sônia Menezes em que a Maria Fumaça é barrada sobre a linha por um touro, na chegada da estação de Curralinho onde rapazes e moças estão a cantar alheios ao fato. Isto explica o porquê de a estação ter sido construída numa depressão mais abaixo, a oeste do arraial.  A ferrovia atraiu novos moradores que passaram a construir suas casas próximas à linha e à estação, imprimindo ao lugarejo um rápido desenvolvimento, fazendo-o superar em progresso a todos os arraiais vizinhos.

Na época, a estação de Curralinho tornou-se a ponta de linha da Linha do Centro e, mais tarde, acabou sendo importante entroncamento e o ponto de partida para o prolongamento da linha para Pirapora, depois ramal de Pirapora, e para o ramal de Diamantina, além de dali ter partido o trecho para Montes Claros, incorporado mais tarde à Linha do Centro. A cidade cresceu por ser um entroncamento de três linhas e também por possuir uma oficina da Central, depois da RFFSA.

Se o trem de ferro trouxe o progresso e com ele novos povoadores, ferroviários advindos de todo lado, comerciantes, ex-escravos, etc atraídos pela mão-de-obra proporcionada pela construção dos vários ramais da linha férrea trouxe também andarilhos e aventureiros de índole várias atraídos por toda sorte pela trilha da Maria Fumaça.

Em 1923, a estação tomou o nome atual, quando foi elevada a município, tendo sido a mudança de nome uma sugestão do tipógrafo e jornalista Antônio Marta Pertence, com apoio de toda comunidade. Segundo Max Vasconcellos, a mudança foi motivada por cacófato do nome original, o que gerava desagrados aos moradores.

O movimento dos trens de carga e passageiros transformou a rotina local. Como a linha era de bitola estreita, os trens não possuíam vagão-restaurante. Em vista disso, as paradas em Corinto propiciaram o surgimento de pontos de refeições e comércio, restaurantes e hospedarias, estimulando o movimento de passageiros e o desenvolvimento econômico da cidade. Além disso, as paradas dos trens na estação tornou-se um grande lazer e atrativo, principalmente para os rapazes e moças que lá se dirigiam a fim de receber notícias ou mesmo paquerar.

Nos anos 1970, o ramal de Diamantina foi desativado, mas o entroncamento se manteve devido ao ramal de Pirapora continuar ativo, para passageiros, até 1978 e depois somente para cargueiros.

Em 1996, quando a RFFSA foi privatizada, a ferrovia em Corinto sofreu sérios abalos que marcaram a população. A oficina foi desativada, o que levou inúmeros ferroviários a serem transferidos para outras localidades, ficando apenas os maquinistas. Porém, aos poucos, a estação foi tendo o seu quadro de agentes e guarda-chaves reduzidos e no final do século XX nem mesmo os maquinistas já se encontravam na cidade. Hoje a estação tornou-se um mero corredor por onde trafegam as locomotivas da FCA e o sucateamento do patrimônio da ex-RFFSA é cada vez mais flagrante, tendo em vista o total abandono e falta de conscientização da população local para com a memória histórica do município.

Afinal, a estação representa uma imagem típica da função pioneira e desbravadora das estradas de ferro em território mineiro. A preservação de sua memória e dos elementos construtivos que ainda resistem ao tempo e ao abandono é importante para toda a comunidade da região.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LIMA, Raimundo. O Campo da Garça, de João Tavares da Rocha a Ursulino Lima (História de Corinto) - 1.º vol., Ed. Cutiara, Belo Horizonte - 1998

SITES PESQUISADOS:
www.estacoesferroviarias.com.br

www.diamantinanet.com.br

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