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A
chegada da ferrovia no início do século XX,
talvez tenha sido o mais importante na formação
hitórico-econômica do município de
Corinto, até então apenas uma paragem de
tropeiros. Quando a estação de Curralinho
foi inaugurada em 1906, o arraial contava
com algumas poucas casas de pau-a-pique e
cobertas de capim ou de folhas de pindoba, não
obedeciam a arruamento e ficavam próximas
aos mananciais de água. O arraial tinha o
seu núcleo onde hoje é o bairro Gomes
Carneiro, conhecido como Curralinho Velho e
aonde se localiza o matadouro local.
Segundo
o médico e historiador Dr. Raimundo Lima,
quando os trilhos chegaram, a estação
seria construída na região onde hoje se
encontra a hospedaria e BR 135 que liga
Corinto e Montes Claros. Porém, os
fazendeiros donos daquelas terras se
opuseram uma vez que achavam que as mesmas
seriam desvalorizadas. Este fato ficaria
representado na capa do disco do Grupo de
Seresta local, intitulado “Corinto em
Serenata III”, gravado no ano de 1984 em
comemoração do 60.º aniversário de
emancipação do município, num belo
desenho da artista plástica Sônia Menezes
em que a Maria Fumaça é barrada sobre a
linha por um touro, na chegada da estação
de Curralinho onde rapazes e moças estão a
cantar alheios ao fato. Isto explica o porquê
de a estação ter sido construída numa
depressão mais abaixo, a oeste do arraial.
A ferrovia atraiu novos moradores que
passaram a construir suas casas próximas à
linha e à estação, imprimindo ao lugarejo
um rápido desenvolvimento, fazendo-o
superar em progresso a todos os arraiais
vizinhos.
Na
época, a estação de Curralinho tornou-se
a ponta de linha da Linha do Centro
e, mais tarde, acabou sendo importante
entroncamento e o ponto de partida para o
prolongamento da linha para Pirapora,
depois ramal de Pirapora, e para o ramal
de Diamantina, além de dali ter partido
o trecho para Montes Claros,
incorporado mais tarde à Linha do Centro.
A cidade cresceu por ser um entroncamento de
três linhas e também por possuir uma
oficina da Central, depois da RFFSA.
Se
o trem de ferro trouxe o progresso e com ele
novos povoadores, ferroviários advindos de
todo lado, comerciantes, ex-escravos, etc
atraídos pela mão-de-obra proporcionada
pela construção dos vários ramais da
linha férrea trouxe também andarilhos e
aventureiros de índole várias atraídos
por toda sorte pela trilha da Maria Fumaça.
Em
1923, a estação tomou o nome atual, quando
foi elevada a município, tendo sido a mudança
de nome uma sugestão do tipógrafo e
jornalista Antônio Marta Pertence, com
apoio de toda comunidade. Segundo Max
Vasconcellos, a mudança foi motivada
por cacófato do nome original, o que gerava
desagrados aos moradores.
O
movimento dos trens de carga e passageiros
transformou a rotina local. Como a linha era
de bitola estreita, os trens não possuíam
vagão-restaurante. Em vista disso, as
paradas em Corinto propiciaram o surgimento
de pontos de refeições e comércio,
restaurantes e hospedarias, estimulando o
movimento de passageiros e o desenvolvimento
econômico da cidade. Além disso, as
paradas dos trens na estação tornou-se um
grande lazer e atrativo, principalmente para
os rapazes e moças que lá se dirigiam a
fim de receber notícias ou mesmo paquerar.
Nos
anos 1970, o ramal de Diamantina foi
desativado, mas o entroncamento se manteve
devido ao ramal de Pirapora continuar
ativo, para passageiros, até 1978 e depois
somente para cargueiros.
Em
1996, quando a RFFSA foi privatizada, a
ferrovia em Corinto sofreu sérios abalos
que marcaram a população. A oficina foi
desativada, o que levou inúmeros ferroviários
a serem transferidos para outras localidades,
ficando apenas os maquinistas. Porém, aos
poucos, a estação foi tendo o seu quadro
de agentes e guarda-chaves reduzidos e no
final do século XX nem mesmo os maquinistas
já se encontravam na cidade. Hoje a estação
tornou-se um mero corredor por onde trafegam
as locomotivas da FCA e o sucateamento do
patrimônio da ex-RFFSA é cada vez mais
flagrante, tendo em vista o total abandono e
falta de conscientização da população
local para com a memória histórica do
município.
Afinal,
a estação representa uma imagem típica da
função pioneira e desbravadora das
estradas de ferro em território mineiro. A
preservação de sua memória e dos
elementos construtivos que ainda resistem ao
tempo e ao abandono é importante para toda
a comunidade da região.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
LIMA,
Raimundo. O Campo da Garça, de João Tavares
da Rocha a Ursulino Lima (História de Corinto) - 1.º
vol., Ed. Cutiara, Belo Horizonte - 1998
SITES
PESQUISADOS:
www.estacoesferroviarias.com.br
www.diamantinanet.com.br
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