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D. Efigênia de Paula, grande catequista corintiana

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PERSONALIDADES CORINTIANAS:

EFIGÊNIA EUGÊNIA DE PAULA:

SUA VIDA, VERDADEIRA HOMENAGEM A SÃO FRANCISCO

No dia 12 de agosto de 1914, na cidade de Matozinhos, nascia a sexta filha do casal Vitalino Eugênio e Altina Maria do Nascimento. Deram-lhe o nome de Efigênia Eugênia. Era diferente dos outros irmãos, claros e ruivos, pois, era morena e tinha os cabelos pretos. Por isso, a apelidaram de Preta. Foi uma menina inteligente, observadora, por isso aprendia tudo com facilidade. Tinha também o dom especial de servir e de fazer amigos. Era muito franca, sincera e fiel nas suas crenças. Aprendeu os ensinamentos da religião católica com seus pais e neles se aprofundou e permanceceu durante toda a sua vida. Por todos os lugares por onde passou durante sua infância e adolescência fez amizades que a companharam a vida toda. Na infância morou em Matozinhos, Juramento, Curvelo, Vaca Selada e Contria. Em Contria, cursou a 1.ª e 2.ª séries primárias tendo como professora D. Adorama de Saint Julien. Veio cursar a 3.ª série em Corinto, passando a residir na casa de sua irmã Isabel Eugênia Luiz, casada com o ferreiro português Manuel Luiz de Siqueira, na rua Benedito Valadres, hoje ruma Manuel Luiz. Ali passou sua adolescência e chegou a juventude. Viu nascer seus sobrinhos José Geraldo Luiz, Maria Carolina de Jesus, Moacyr Luiz de Siqueira e Almir Luiz aos quais dedicou carinho materno, pois ajudou sua irmã a cuidar deles.

Aos 19 anos casou-se com Alexandre de Paula e passou a residir à rua São Paulo, n.º 146, hoje rua Joaquim Costa. Passou a chamar-se Efigênia Eugênia de Paula. Continou sendo a irmã dedicada e uma tia enérgica e afetuosa. Não só com os que ajudou a cuidar, mas com todos os outros que vieram depois: Espedito, Alberto, Raimundo, Antônio, Irene e Carlos. Cativou-os para toda a vida. Amava-os sobremaneira e eles a consideravam uma segunda mãe. Todos contraíram núpcias e a família de cada um dedicou a ela grande afeto.

De seu feliz casamento teve três filhas: Maria Flor de Maio, Elizabeth Dramans de Paula e Mercêdes Antônia de Paula. O abençoado enlace durou apenas 6 anos, pois, aos 25 anos de didade já se tornara viúva. Com fé e coragem enfrentou dias amargos e só não sucumbiu com a dor suprema da perda do marido, porque sentiu que o Senhor lhe reservara uma missão importante a cumprir aqui na terra.

Vencendo todos os revezes, guiou suas filhas dentro dos princípios cristãos e da integridade moral. Conseguiu educá-llas e formá-las. Apesar de lutar com dificuldades financeiras, outros filhos adotivos vieram juntar-se a suas filhas para receberem dela o carisma de sua fortaleza e de seus ensinamentos.

Recebeu em sua casa por três anos sua cunhada Maria Félix Eugênia e três filhos: Rita, Milton e Eni. Quando estes se foram recebeu cinco sobrinhos órfãos: Eva, Maria Raimunda, Izabel, Blandina e Geraldo Cupertino. Recebeu novamente Rita Félix Eugênia para estudar e fazer a primeira comunhão. Recebeu seu sobrinho antônio Eugênio para estudar. Recebeu depois uma criança de 11 meses, Urubatan Lúcio Rosa, durante o tempo que durou a enfermidade de sua mãe.

Recebeu depois uma criança de 17 dias, que passou a ser outra filha do seu coração: Valéria Cristina de Fátima Alves. Criou-a, educou-a, e só separou dela após o casamento. Foi a mãe que ela conheceu e amou em sua vida. Recebeu depois uma menina de 6 anos, Zilma Mendes Pereira, que veio do meio rural para estudar: ali permaneceu até os 14 anos. Recebeu a afilhada Meire Bernadete Campos, órfã de mãe.

Recebeu em seguida o afilhado órfão Geraldo da Silva. Além desses filhos adotivos  muitas outras pessoas acharam em sua residência o aconchego de um alr, durante o tempo em que precisaram: Elvira Inocência de Oliveira, Edson Viana, Gildete Coelho de Oliveira, Alfa Alvarenga, Rodrigo (menino adotado pela enfermeira Irmã Aloísa), Veridian Angélica da Cruz, José Sílvio e José Loix (esses dois alunos da Febem). Em seguida recebeu sua irmã Izabel Eugênia Luiz que passou a morar com ela. A todos filhos adotivos e hóspedes amou intensamente e jamais exigiu qualquer retribuição de nehum deles. Mas por eles ela foi considerada a segunda mãe e todos lhe retribuíram muito amor, carinho e admiração.

Seus conselhos, sua vida laboriosa e organizada, sua responsabilidade e integridade, sua energia, franqueza e receptividade, sua presteza em servir, sua simplicidade, sua religiosidade, sua fé, seu dom de discernir, aconselhar e guiar eram admiráveis. E a muitos conseguiu ajudar com os dons que Deus lhe deu.

Apesar de seu porte elegante e da simpatia de suas feições não cultivava nenhuma vaidade: uma prova disto é que desde que enviuvou-se, aos 25 anos, passou a usar somente roupa preta até o dia de sua morte; a prova maior de sua singeleza estava em seus atos: amou a Deus e ao próximo sem mediades, pois, em toda sua vida, dedicou-se a quem dela precisava.

Catequizou crianças e adultos durante 46 anos. Ao catequizar as crianças, entrava em sintonia com os pais e, se necessário, catequizava-os também. Aprendeu com sua mãe o ofício de parteira e ajudava quem necessitasse nesse mister. Cuidava das criança recém-nascidas. Aprendeu enfermagem e ajudou os necessitados com essa profissão.  

A todos os filhos alfabetizaou em casa para depois guiá-los para a escola, cuidou dos carentes da Sopa de São Francisco junto com suas irmãs da Ordem Franciscana Secular.

Sempre adotou em seu lar uma vida íntegra, sóbria e franciscana. Sentia a presença de Deus em todas as criaturas, pois amava também as plantas e animais. Colocava arte em tudo o que fazia: no cozinhar, no lavar,  no passar, no bordar, no costurar, no pinter, no tecer, no fazer tapetes, no ornamentar. Ensinou às filhas, sobrinhas, afilhadas e vizinhas alguns trabalhos como bordar, tecer, costurar, pregar botões, cozinhar, fazer tapetes, ler e escrever.

Jamais se queixava, jamais maldizia. Cultivava em todos o hábito da discrição.

Pertencia à Irmandade do Santíssimo Sacramento, à Ordem Franciscana Secular, ao Apostolado da Oração, à Sacgrada Face. Era membro do Círculo Operário, da Comissão Protetora Maternidade e da Infância (lactácio) e do Clube de Mães criado na paróquia. Muito virtuosa, assistia à missa e comungava diariamente. Jejuava toda sexta-feira, abstinha-se de carne na segunda e sexta-feira, fazia vigília ao Santíssimo Sacramento no dia 27 de cada mês de 2 às 3 horas da manhã. Era muito devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e confiava plenamente na Divina Providência. Durante sua jornada aqui na terra alinhou-se a grandes homens e mulheres e juntos viveram uma história franciscana nesta terra: Frei Helano, Frei Aurélio, Frei Rafael, Frei Artur, Frei Edvaldo, Frei Constâncio, Frei Gustavo, Maria Angélica Pacheco, Irmã Norberta, Irmã Bernadete, Irmã Benigna, Isaltina dos Reis Lana, Rosaura Dumont, Geralda Lana, Odete Silveira Machado, Aurita Viana, Cecília Roque, Virgínia Teotônia, Isaura Manuelina, Raimunda Alves da Silva, Cecília Lúcia, Sebastiana Hilda, Isabel Moreira, Raimunda Barbosa, Noêmia da Silva, Esmeralda Ferreira, Nair Valadares, Antônio Leopoldo e Levi Vitorino. Seus amigos eram como irmãos e os filhos deles eram também muito considerados. 

Seu Catecismo chamava-se Nossa Senhora do rosário. Ao ensinar a religião fazia-o tão convicta da presença de Deus, que conseguia levar educandos a sentirem essa presença também. Entre eles e onde estivesse, cultivava e concórdia, o bem viver, a piedade, a beleza e a arte. Convidou Sebastiana, companheira de catequese, para ensinar os catequisandos a cantar. Descobriu lídres e os  preparou para serem seus ajudantes e para serem também catequistas. Tinha a devoção de rezar o terço com a família e vizinhança. Compunha acrósticos para enfeitar as lembranças da 1.ª Comunhão. Ensinava as crianças a encenar peças teatrais e a declamar para os festejos do catecismo e da 1.ª comunhão.  Eis aqui uma poesia dialogada, que seus alunos recitavam na festa, após a 1.ª Comunhão:

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA

— Dizei-me o que é a hóstia
    Antes da consagração
— Um pouco de trigo apenas
    Um pedacinho de pão

— E depois de consagrado
    o pão? Que mistério há nisto?
— Já não é pão! É o corpo
    Divino de Jesus Cristo

— E no cálice o que existe
    Antes de ser consagrado?
— Vinho puro feito de uvas
    Somente com água misturado

— E o que fica sendo o vinho
    Da consagração após
— É o sangue que o bom Jesus
    Derramou na cruz por nós

— E credes Jesus presente
    sob a aparência do pão?
— Creio e espero recebê-lo
    Na Sagrada Comunhão

— E Jesus está vivo ou morto
    Destas espécies, no véu?
— Vivo! Vivo realmente
    Assim como está no céu.

Tinha uma saúde de ferro. Até 1986, não precisava tomar nenhum remédio, cuidava de todas as atividades domésticas e resolvia todos os seus encargos sociais e religiosos. Em 1.º de dezembro de 1986 caiu enferma, com um problema cardíaco. Durante os 2 meses que permaneceu doente Deus lhe deu a grande bênção da lucidez e dos movimentos para realizar suas necessidades pessoais.

No dia 1.º de fevereiro de 1987, 11 horas após ter recebido a comunhão e rezado a "consagração de Nossa Senhora Aparecida", fechou os olhos e expirou. Deixou mais de 200 afilhados e 9 netos: Adilson César, Amarildo Alexandre, Lívio Leandro, Gustavo Adolfo, Rodrigo Albano, Juliana Roberta, Cláudia Beatriz, Helder e Higor. Uma pessoa que veio ao velório fez o seguinte comentário: "Igual a Dona Efigênia, somente uma dentre mil". Muitos, ao vê-la partir, disseram: "Perdi minha mãe". Dentre eles, quatro mais velhos do que ela repetiam esse frase chorando. Eram eles: o Sr. Antônio Joaquim dos Reis (Ninico), Irmã Celina, Maria Filé e Dona Maria do Sr. Januário.

O pessoal de sua rua a alcunhou de "O Pronto Socorro da Rua Joaquim Costa".

Abaixo, uma poesia em homenagem a D. Efigênia escrita pela sua filha Mercêdes Antônia:

Dona Efigênia, a sábia catequista
Por quarenta e seis anos ensinou
Como um exemplo por todos era vista
Pelo tanto que a Deus e irmãos amou.

             Era mulher que a todos ajudava
             Com trabalho, conselho e oração
             O que nela a todos admirava
             Era a energia e o bom coração.

Notável era a sua fidelidade
A todos que como irmão adotou
Como prova de sincera amizade
Afilhados, mais de duzentos deixou

             Naquele dia em que Deus a chamou
             Gente e mais gente num choro se uniu
             Uma pessoa assim argumentou:
             Igual a ela só uma entre mil.

Bibliografia:

Texto e fotografia cedidos por dona Mercêdes Antônia de Paula Alonso do Carmo, filha de Dona Efigênia e membro da Academia Corintiana de Letras.

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