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O
Carnaval de Corinto é, há mais de 50 anos,
considerado um dos melhores e o mais democrático
da região, antes mesmo do de Diamantina
tomar as proporções que tomou nos últimos
anos, principalmente depois que passou a ser
Patrimônio Cultural da Humanidade. Para se
ter uma idéia, o Carnaval corintiano é do
tempo em que o uso do lança-perfume foi
comum no Brasil desde os anos 20 até ser
proibido em 1961 por decreto do então
presidente Jânio Quadros. Na época, a
brincadeira dos foliões consistia em
esguichar uns sobre os outros. O produto
vinha embalado em frascos de metal dourado e
ao toque na pele provocava uma sensação
geladinha, agradável, perfumada e de rápida
evaporação. Porém, estas brincadeiras
foram dando lugar ao uso do lança-perfume
como droga inalante em que as pessoas
embebiam lenços com o produto e o aspiravam
com o fim de ter sensações de euforia e
torpor, o que causou inúmeras mortes por
parada cardíaca, o que levou à proibição
da fabricação e comercialização no país.
Ao
que tudo indica, a tradição do Carnaval em
Corinto tem suas origens nos Entrudos que
aconteciam no tempo da Colônia e do Império
e que no final do século XIX começaram a
se popularizar pelas ruas centrais da cidade
do Rio de janeiro. Quando os trilhos da Central
do Brasil chegaram a Curralinho
no raiar do século XX, não demoraria
trazer através da Maria Fumaça as
novidades da capital federal. Nas décadas
seguintes, a força da era do rádio, a Época
de Ouro da música brasileira com a renovação
musical iniciada com a criação do samba, a
marchinha e outros gêneros, o cinema falado,
etc. iriam fortalecer o surgimento de foliões
a desfilar pelos salões do Centro Operário
e, posteriormente, dos Clubes Ferroviário
e Corinto jogando confetes e
serpentinas, além de esguichadas de lança-perfume.E
pensar que houve época que, nos embalos de
clássicos carnavalescos como “Lata D’água”,
“Me dá uma dinheiro aí”, Máscara
Negra”, Pierrô Apaixonado” e
“Bandeira Branca”, o preconceito racial imperava no Corinto Clube, que não
aceitava nos seus quadros de sócios pessoas
negras. Talvez isto seja a coisa mais estúpida
que se tem notícia na história de Corinto.
Mas,
logo o Carnaval ganharia os espaço democrático
das ruas com o surgimento do famoso Sapo
Seco de Ronê, Island Pereira, Dr. Humberto
Alvarenga e Bandinha,
dos blocos caricatos como o saudoso Urubu
Malandro de Nica e Geraldo Brocó, o Bloco
da Lídia e Cabeção e o Boi da
Manta de “seu” Zé Rico, a Catirina
de Fernando de Antônio Romão...
E com os blocos caricatos surgem as
escolas de sambas: Os Magnatas da Vila com
o seu tradicional amarelo e preto, Bocas
Brancas de azul e branco, a meteórica
verde-branca Acadêmicos do Samba Unidos
de Infância e a caçula verde-rosa Cor
Morena Brasileira. Escolas que traziam
no batuque sincopado de centenas de
ritmistas a alma brasileira. Algumas delas
até arriscaram seus sambas de enredo. Os
Magnatas de Vila teve como seu maior
puxador de samba Florentino Barbosa...
O
Sapo Seco, porém, é uma das maiores
tradições do Carnaval de Corinto. Ele
consiste de uma brincadeira em que os homens
fantasiam-se de mulher e, anos mais tarde,
as mulheres de homens e que tem como ápice
lançar sobre quem passa de carro ou a pé
esguichos de água e talco (em substituição
ao lança-perfume), mas que nos últimos
anos teve que ser abolida porque algumas
pessoas de espírito maldoso começaram a
exagerar jogando ovos, farinha de trigo, fubá
e graxa.
Bons
tempos aqueles em que a família de Dona
Neide, os "meninos" da Vila
Maciel comandados pela família
Benevenuto alegravam as batucadas nos
butecos e bares de Corinto. Tocavam de tudo:
samba de enredo das escolas do Rio, samba de
partido alto e marchinhas de carnaval...
Bons
tempos em que cada clube, tanto o Corinto
como o Ferroviário, tinha a sua
própria orquestra e na última noite,
quando a Quaresma começava a
despontar na madrugada da Quarta-Feira de
Cinzas, uma saía de onde estava tocando
e ia se unir à outra. E muitas vezes,
quando a última visita era no Corinto
Clube o povo ia para a rua do Footing
dançar saudando o dia que clareava...
Da última década o século passado
até os dias atuais, ritmos como funk e
axé
contribuíram para enfraquecer e desaparecer
com os bailes nos clubes, como tem
acontecido pelo Brasil afora. Mas, em
Corinto, como numa volta no tempo, ainda há
espaço para as antigas marchas que
persistem em contagiar velhos e jovens.
E,
como sempre, a “Rua do Footing” continua a ser o local onde durante os 4 dias e 4 noites as
folias acontecem, entremeadas de um
sol de quase 40 graus e
altas noites etílicas, porque todos
os caminhos levam para lá. E este cenário
contagia o povo de Corinto que passa dançando
e cantarolando, ao ritmo dos sons modernos e
das marchinhas imortais numa tranqüilidade
que impressionam os visitantes que sempre
voltam nos anos vindouros.
Em
parceria com a administração municipal, o
povo hospitaleiro e festeiro está
resgatando as raízes e adaptando estes
eventos aos tempos modernos e, com isto,
mais pessoas chegam prestigiando as festas
corintianas.
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