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 © Balbina 

Bandinha - Nêga Maluca

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FESTAS TRADICIONAIS - CARNAVAL EM CORINTO

SAUDADES DE VOCÊ, BANDINHA!!!

“Ai que saudades da aurora da minha vida...” da fantasia perdida e dos carnavais que não voltam mais!

Saudades dos trajes à rigor dos blocos carnavalescos!!! Havia, sempre, um dinheirinho suado, guardado durante todo o ano, ou, quem sabe da economia do mês, para caracterizar um bloco...

Ai que saudade, quanta saudade do “Sapo Seco” de outrora! Saudade daquela gente feliz, alegre, cidadãos com quem cruzávamos no nosso quotidiano, homens e mulheres, comuns, trabalhadores, pais de família e até crianças que, seguindo o exemplo dos pais, se tornavam foliões por quatro dias e soltavam sua vontade e alegria de viver e cair na folia.

Ai que saudade! Saudade do tempo em que, ser folião, brincar durante todo o carnaval, tomar “todas” era sinônimo apenas de harmonia com o universo, com a vida e com os amigos!!! Brincava-se pelo prazer de brincar, de cara limpa, sem hipocrisias, sem medo de olhar o outro nos olhos, porque o que importava era, simplesmente, a diversão, a descontração.

E nesse meu saudosismo, envolto em névoas da emoção, surge a figura do nosso grande folião do passado (que para mim está presente em todos os carnavais): O nosso Bandinha, o nosso “Nega Maluca”,  caracterizado de mulher e trazendo ao colo um Boneco Pretinho,  de quem nunca se separava durante o carnaval. Às vezes até cantava pelos botecos: “Nega Maluca”.

Bandinha  era o folião por excelência, que mesmo de “foguinho” ou “fogão” sabia respeitar a todos, das crianças a quem tanto amava, aos velhos para quem sempre tinha um sorriso aberto, acolhedor e carinhoso e de cujos lábios saiam somente palavras boas, pra cima, que elevavam a auto estima dos idosos e aqueciam seus corações. Eu admirava o Bandinha  quando, na 4.ª Feira de Cinzas, às 12:00 horas, lá estava ele, no Banco do Brasil, no seu Posto de Segurança, sóbrio, sério, discreto, responsável. Esse era o nosso Bandinha!

Eta saudade, gente !!! Bandinha era dez!!!

Se eu soubesse como, eu o denominaria como “Folião da Paz”,  porque a bebida não alterava a sua personalidade forte e ele continuava um grande cavalheiro, um grande homem, brincando sem violência. Ele queria somente se divertir em paz, com seus grandes amigos, sem brigas, sem encrencas. Bom amigo, irmão e ótimo filho, Bandinha só pode ser lembrado com muita saudade, com desejo imenso de tê-lo novamente entre nossos foliões.

Mas, eu sei que, lá do andar de cima ele vê nossos carnavais e também saudoso, abre seu sorriso largo e pensa:

“Ai que saudade do Carnavais de Corinto!”

De onde você estiver, Bandinha, a minha saudade, a de todos os foliões e de seus familiares que nunca o esquecerão.

(Em  17/07/1994, dia em que a Seleção Brasileira sagrou-se tetracampeã mundial, nos EUA, decerto Bandinha, que era amante do futebol, saiu para comemorar pelas ruas de Belo Horizonte quando foi encontrado em estado de coma e alguns dias depois veio a falecer. Ninguém sabe ao certo como  e o que aconteceu com ele naquele dia de alegria. Espera-se, apenas, que Bandinha tenha caído na folia da vitória brasileira antes de ter-se ido e  que não seja apenas mais uma vítima da violência sem impunidade. – Tadeu Oliveira)

TEXTO ESCRITO POR:
Balbina, Corinto, 06/03/2000

 

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